sexta-feira, 10 de junho de 2011

Juvenart?!



Vamos dividir em 2 partes:


A primeira é juntarmos para ensaiar muitos meses, muitas horas por semana. Nos atirarmos em cima do palco no fim do ensaio de tão cansados. Odiar ir no ensaio depois que perdemos. Não ver a hora do dia do ensaio se ganharmos. Quebrar a cabeça para aprender aquele sarandeio e sapateio.Passar frio ensaiando. Rir muito das histórias de cada um durante a semana. Achar apelido para todo mundo.


Contar aquela piada que pode até não ter graça mas a gente conta. Rirmos das perguntas de alguns para o instrutor. Dizermos que não podemos fazer algo por que temos ensaio terça, quinta e sábado. Fazer aniversário com janta surpresa para alguém do grupo. Fazer uma janta às pressas depois do ensaio. Trabalhar nas promoções do ctg. Fazer um projeto gigante para o Juvenart e ter que correr para fazer promoções para juntar grana. Fazer apresentações porque querem ver a atual 3ª melhor juvenil do estado. Juntar todos para fazer para gravar propaganda da carreteada do agasalho pra RBS- SM. Inventar parodias para músicas. Viajar com o grupo para os compromissos do grupo. Ficar em alojamentos. Machucar o joelho. Fazer vaquinha para comprar algo. Pagar para ter algo.


Repassar 1000 vezes a mesma dança. Nós orgulharmos de dizer que dançamos por nós e não para ganhar de x ou y. Ficar feliz por isso dar certo. Ensaiarmos para não errarmos na harmonia de novo. Fazermos com que a interpretação fique o mais natural possível. Fazer ensaio improvisado. Fazer ensaio cantando porque não temos som. Brigar. Discutir. Rir. Festejar. Esperar sorteio da ordem. Sorteio das danças. Conhecermos gente de outros lugares. Sermos conhecidos. Sermos invisíveis. Sermos reconhecidos. Sermos desconhecidos. Cantarmos parabéns no ensaio. Receber elogio da patronagem.


Receber puxão de orelha. Fazer loucuras. Fazer almoço quando ensaio é o dia inteiro no ctg. Ensaio extra. Ver a família e o ctg na arquibancada. Arrepiar-se. Emocionar-se.
Isso é um pouco do  JUVENART.


Ah, a outra parte são aqueles 20 minutos que servem só para saber se recomeçaremos tudo de novo ou se vai ter mais uma apresentação. Se não deu certo, ficamos tristes, até o dia do próximo encontro ou ensaio, quando riremos de tudo que deu errado.


Texto base: Sidinei Pereira Gonchoroski  do CTG M'Bororé
Fonte: http://rogeriobastos.blogspot.com/

Dançar e não ter vergonha de ser feliz *-*

Em véspera de rodeio em Campo Bom, andei vasculhando o blog do Rogério Bastos e da Tainá Valenzuela amigos queridos que só o tradicionalismo pode me proporcionar, li alguns post's e voltei no tempo, relembrando o primeiro passo dado por mim aos 5 anos de idade na Inv. Dente de Leite do CTF Os Nativos até hoje quando me preparo pra ir dançar o rodeio com a Inv. Juvenil do CPF Piá do Sul.


Sabe aquele ditado, a primeira vez a gente nunca esquece? nesse caso serve pro primeiro passo que dei em uma dança tradicional, nunca vou esquecer de mim com 5 aninhos tentando insistentemente pegar aquele sarandeio do tatu com volta no meio que eu achava incrível, depois de conseguir enfim pegar os sarandeios e aprender a dançar as outras danças (básicas), veio o esforço para acertar os tempo certo dos movimentos, a tal de harmonia e depois a correção. Então depois de tudo certo, veio a tão esperada primeira apresentação e o primeiro friozinho na barriga, sim o primeiro, pois esse a gente nunca vai deixar de sentir se dançar for uma das tuas maiores paixões na vida. Depois de tantas apresentações, chega a hora de receber pela primeira vez a notícia de que a tua idade estourou, ou seja, tu ta mais velha e tem que ir pra outra categoria, a mirim. Chegando na mirim, tu além de ter que fazer novas amizades e encontrar uma amiga que possa ir mas cedo no ensaio pra te passar as danças, tu tem que te esforçar e muito para que seja vista pelo instrutor e esperar a oportunidade pra entrar na sala e fazer o teu melhor, e no meu caso tive que fazer essa oportunidade aparecer rápido, pois a invernada estava praticamente pronta pro rodeio e eu tinha menos de um mês pra tentar uma vaga. Pra minha surpresa consegui mais de uma vaga, consegui dança a coreografia de entrada e saída e as três danças tradicionais *-*


O tempo passou, muitos rodeios pela mirim se passaram e mais uma vez veio aquela notícia sabe e junto com ela um desafio maior, sim eu tive que ir pra inv. juvenil, mas infelizmente essa não era uma invernada forte e a entidade já não dava muita atenção pra parte artística, com isso a gente nunca conseguiu ir em mais de 3 rodeios (eu acho) e nunca tivemos mais que 8 pares e era rotina ver a cada ensaio pessoas saindo da invernada.


E eu como uma apaixonada pela dança, queria dançar e dançar mais e mais, e participar por que não de grandes rodeios como o estadual juvenil, resolvi então que era hora de me "mudar", então no ano de 2009 ingressei na inv. juvenil do CPF Piá do Sul, a qual eu prestigiava e torcia muito, pois tive a oportunidade de ver essa invernada ser Bi-campeã do Juvernat ( 2007- 2008), mas sabia que não ia ser fácil conquistar um lugar como dançarina nessa invernada, e não foi ;;


Fiquei quase um ano ensaiando no fundo do salão e me esforçando para que em 2010 conseguisse realizar o meu sonho de dançar o estadual, depois de muito ensaio, muito cansaço, veio a recompensa, não só consegui dançar o Juvenart, como hoje sou integrante da 3ª melhor juvenil do estado. O juvenart passou, mas os ensaios e rodeios continuaram e com eles mais vitórias e conquistas.


Vira o ano, entramos em 2011, objetivos traçados e lá vamos nós mais uma vez em busca do nosso sonho. A invernada voltou das férias em Fevereiro e no mesmo mês participamos do Rodeio Internacional de Passo Fundo ( 7ªRT ), e por 0,001 voltamos com o 2ª lugar para Santa Maria, mas levantamos a cabeça e na semana seguinte retornamos aos ensaios, e fomos pro rodeio do campo dos Bugres em Caxias do Sul (25ª RT ) e sinceramente na hora do resultado não tinha um entre nós que não estivesse nervoso, mas enfim deu tudo certo e voltamos de lá com o 1º lugar, e esse resultado se repetiu no rodeio de Soledade o/


E hoje a invernada juvenil do CPF Piá do Sul se prepara para ir em busca de mais um objetivo e com ele traçar um rumo para o grande sonho o Juvenart 2011!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Esse falo tudo!

Gente bonita desse Rio Grande, esse foi um post que eu achei no fórum galpão gaúcho e achei bem interessante postar aqui, pois de uma forma ou de outra esse gaúcho falou o que a maioria de nós tradicionalistas ou simplesmente aqueles que valorizam nossa cultura  queriam dizer a muito tempo:


Esse gaúcho merece ser lido, aplaudido e divulgado:


Há muito venho pensando no que se faz da nossa cultura...
Temos tradição, temos história, temos costumes próprios e os valorizamos. Entretanto, parece que a todo momento tentam nos aculturar...
Qual o espaço que os nosso modo de ser ocupa na mídia hoje em dia? Será que é certo aturarmos a Regina Casé (e seus sambabacas) no domingo de meio-dia, enquanto o nosso Galpão Crioulo foi literalmente “chutado” para um horário que ninguém praticamente assiste, já que domingo é dia de descanso e a maioria aproveita pra dormir um pouco mais. Tá bem que o Neto Fagundes não tem o mínimo carisma e aínda mais com aquele rabinho de cavalo ridículo. Todos sabem que existem pessoas aquí no estado com capacidade suficiente para fazer um programa de qualidade. Abram espaço para eles! Por favor, salvem nossa verdadeira cultura! 
Não precisa ser um gênio pra perceber que recentemente no programa da Regina Casé levaram um grupinho sofrível de dança gaúcha pra dançar pro Brasil inteiro o quê? O pezinho, uma dança folclórica com significado pra nós, mas que pro resto do Brasil não tem sentido algum a não ser “queimar o filme dos gaúchos”. Se querem mostrar nossa dança porquê não convidam os vencedores do último ENART? Ou será que o objetivo era ridicularizar o gaúcho, “será”?


Não sou contra o samba, mas sou contra nos fazerem de palhaços. Pra completar a referida apresentadora entabulou um assunto com nossos representantes que em nada acrescenta às famílias brasileiras, principalmente no horário de almoço de domingo, quando nossas crianças estão assistindo TV – Tem sex-shop no sul? Você já foi em Sex shop? Tinha calcinha de chocolate? – e o que nos resta é aturar algumas das prendas e peões respondendo, timidamente a esse rol de asneiras.


Cadê nossos festivais? Quando aparecem são no RBS local, não em nível estadual. Como é que nossos jovens conhecerão nossa música, nossa cultura, se nossa principal emissora de TV não dá espaço pros nossos novos músicos e vencedores de festivais atuais?
Excetuando-se as honrosas exceções de Luiz Marenco e César Oliveira e Rogério Melo, que de tão bons conseguem vencer remando contra a maré) , vivemos do passado... de Tropa de Osso, Esquilador, Veterano e etc., os novos nomes da música gaúcha ninguém conhece. E porquê? Por que pra isso não tem espaço... Será que tudo isso não se trata de uma estratégia para “aculturar nosso povo”... “será”? Quando as gerações mais antigas se forem e nossas músicas ficarem esquecidas eles terão conseguido finalmente sepultar nossa cultura.


Porquê será que pra promover o Planeta Atlântida com seus freqüentadores maconheiros, bêbados e viciados de todo tipo tem espaço? Seria essa uma tentativa de emburrecer e viciar nossos jovens.... ”será”? Pra isso a RBS tem espaço. Pra gaúchos "heróicos" que participaram do Big Brother (o supra-sumo do lixo cultural), tem espaço. Ah... ASSIM NÃO DÁ!!!
Cadê o Luiz Carlos Borges? Cadê o João de Almeida Neto? Cadê o Renato Borghetti , o Elton Saldanha, o Marcelo Caminha, o Miguel Marques? Ninguém sabe. Mas a Alcione, a Claúdia Leite, o “Belo”, o Bruno e Marrone, o “sertanejo universitário” ... esses tão todo o dia enchendo o nosso saco.
Esse é o lixo cultural que nós temos recebido como ração, mas que por sermos o estado mais politizado e educado da união, nos recusamos a engolir.


Mesmo o pessoal dos CTGs, nosso último reduto cultural, hoje em dia só ouve atualmente música gaúcha de baile e que... convenhamos, é péssima (com honrosas exceções, como os Serranos e outros).
Me enoja aquelas materiazinhas da RBS na Semana Farroupilha (daí eles lembram e fazem um circo!!!), mandam aqueles apresentadoras bunda mole para fazerem reportagens no Acampamento Farroupilha como se aquilo fosse algo do exterior... parece um programa do National Geographic com os aborígenes de tão estranho. Não conhecem nada, não entendem porra nenhuma e não ficam nem envergonhados de se dizerem gaúchos.


Me perdoem queridos conterrâneos esse desabafo.
Que essa mensagem ecoe nos confins do Rio Grande, e desperte o povo gaúcho da letargia antes que seja tarde. Nossos antepassados delimitaram nossas fronterias à ponta de lança e à pata de cavalo... hoje pisam no nosso pala e... tudo bem? Me recuso a acreditar nisso.


Um Gaúcho cuja paciência acabou faz tempo.


Prof. Dr. Gilson de Mendonça
UFPEL/IB/Dep. de Fisiologia e Farmacologia